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Toxina botulínica é eficaz contra a depressão

Apesar de ser sempre relacionada à estética e à vaidade, a toxina botulínica tem muitas outras indicações médicas. Uma delas, comprovada por estudos recentes e por pesquisas desenvolvidas nos últimos 25 anos, é seu uso no tratamento de quadros de depressão. Nestes casos, a aplicação de toxina botulínica na face não é eficaz apenas por tornar a aparência rejuvenescida, o que deixa qualquer pessoa mais feliz, mas por este produto impedir os músculos de expressarem tristeza, o que leva o cérebro a não reconhecer este sentimento. Desta forma, é a expressão facial que exerce influência sobre o cérebro, e não o contrário.

Quem afirma isso é o microbiologista e pesquisador inglês Andy Pickett, um dos principais pesquisadores dos efeitos das aplicações de toxina. Ele, que esteve no Brasil no final de setembro de 2014, durante o Congresso Brasileiro de Dermatologia, afirma que são as expressões faciais que interferem nas emoções e não o contrário. Ou seja, parecer triste é o que deixa uma pessoa triste de verdade. Como a toxina deixa a expressão mais suave, os pacientes submetidos às aplicações ficam menos tristes.

Em maio do ano passado, o dermatologista norte-americano Eric Finzi divulgou os resultados de um novo estudo, realizado com dez voluntários, todos com o diagnóstico de depressão, que não apresentavam melhora com tratamentos convencionais, como terapia e antidepressivos. Dos dez, nove ficaram curados. Para este médico, o estudo sugere que o aparecimento das rugas no rosto envia sinais para o cérebro, que responde com a produção de substâncias que produzem sensações de tristeza ou de alegria.  “Não se enruga a testa por conta da depressão, mas o que acontece é exatamente o contrário. São as rugas que induzem a uma série de reações que fazem surgir a depressão”, disse.

Finzi acredita que a resposta para a eficácia do produto nos casos de depressão pode estar na comunicação entre as vias nervosas da face e o cérebro. O dermatologista acredita que sentimentos como raiva, tristeza e felicidade não vêm do cérebro, mas dos músculos. Ao serem paralisados pela toxina, eles ficam impedidos de demonstrar tristeza, o que faz os sintomas de depressão diminuírem.

gregos
Obras de arte da Antiguidade já retratavam rostos com marcas de depressão.

Alguns anos antes, uma pesquisa similar, realizada por Norman Rosenthal, professor de psiquiatria da Georgetown Medical School, nos Estados Unidos, envolveu 74 adultos, todos diagnosticados com depressão severa. Metade deles recebeu aplicações de toxina na região entre os olhos, e a outra metade, injeções de placebo. Em seis semanas, 52% dos que receberam a toxina botulínica disseram se sentir significativamente melhor, contra apenas 15% do grupo do placebo, o que mostrou que a toxina causa efeitos reais na química cerebral, melhorando o humor de pacientes.

Em 2010, psicólogos da Universidade de Cardiff, no País de Gales, descobriram que pessoas que não conseguiam franzir o rosto por causa da aplicação de injeções de toxina botulínica se consideravam mais felizes do eram antes, menos ansiosas e mais atraentes. Não é à toa que a o uso da toxina é considerado o maior sucesso terapêutico de todos os tempos.

Toxina Botulínica

Utilizada na Clínica Aldo Toschi desde 1997, é um produto obtido em laboratório a partir da cultura de bactérias. Aplicada precisamente nos locais corretos do rosto, essa substância é capaz de inibir a contração muscular, relaxando o semblante e atenuando as rugas de expressão facial.

Referências:

Finzi E.; Rosenthal N.E. Treatment of depression with onabotulinumtoxinA: A randomized, double-blind, placebo controlled trial. Journal of Psychiatric Research, Vol. 52, May 2014, Pages 1-6.

Pickett, A.; Perrow, k. Towards New Uses of Botulinum Toxin as a Novel Therapeutic Tool. Toxins (Basel). 2011 Jan; Vol. 3(1), pages 63–81.

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